domingo, 18 de maio de 2014

30.NOVAS EXPERIÊNCIAS NO PRIMEIRO MEADO DOS ANOS "80"

       Provavelmente no inverno do ano de 1983 conseguimos uma vaga e uma licença da Secretaria de Turismo para exposição e comercialização dos enxovais de bebê e outros artigos de lã na Feira do Artesanato, que até hoje se realiza todos os domingos na avenida Bento Gonçalves. Por essa época estava em moda as meias longas e polainas coloridas que haviam sido popularizadas pela novela "Dancing Days". A Neida as confeccionava e faziam muito sucesso, pela variedade e bom gosto nas combinações de cores que ela usava. Íamos de ônibus carregando uma mesinha desmontável de fabricação artesanal, uma mala e uma sacola grande cheias de mercadorias. Era uma mão de obra bastante sacrificante, mas valia a pena porque faturávamos uma boa grana.
       Para que pudéssemos trabalhar mais livremente, todos os sábados à noite eu levava as crianças para a casa da avó, situada na rua General Osório, 354-A, no centro da cidade.
       Por incrível que pareça, após um período de mais de dois anos sem fumar, a Neida e eu voltamos a conviver com esse vício, que era muito combatido especialmente pelo André. Às vezes, ao aproximar-se de um dos dois, na intenção de ganhar um colo, um aconchego, um beijo, ao ver que se estava fumando, saía logo, dizendo: - "Ih! Você já tá com essa porcaria na mão?!" - e se afastava fazendo cara de nojo, cobrindo o nariz com as mãos numa demonstração de que detestava o cheiro daquela coisa. O "você" como forma de tratamento havia sido adquirido em São Paulo. Só depois de algum tempo é que conseguimos revertê-lo para o "tu", que é a forma convencional usada pelos gaúchos.
       Quando comecei a trabalhar no Salão Pará, em setembro de 1984, ainda fumava, mas tinha o cuidado de não fazê-lo enquanto atendia um cliente. Por isso, muitas vezes tinha que jogar fora um cigarro recém aceso, o que representava um desperdício a mais de dinheiro. Outras vezes repassava-o para o seu Adão, que dizia:  - "Dá pra mim, pra tu não teres que jogar fora. Pelo menos eu aproveito". E, é claro, dizia isto com um sorriso, como que tirando uma folguinha com a minha cara.
       Foi mais ou menos nessa mesma época que começamos a frequentar o Centro União (Sociedade União e Instrução Espírita), na rua Quinze de Novembro, onde permanece a sua sede até hoje, iniciando no ano seguinte o curso preparatório para médiuns. Esse curso se compunha de dois ciclos em um único ano. Depois de sofrer algumas adaptações, aumentando a sua duração, tornou-se no que hoje chamamos "Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - ESDE", que perfaz um mínimo de 5 anos, podendo estender-se um pouco mais, entre estágios teóricos e teórico-práticos. Durante esses estudos, nos quais nos preparávamos para trabalhar na função de passistas, foi-nos recomendada a leitura do livro "Passes e Radiações", de Edgar Armond. E foi com a leitura desse livro que nos sobreveio a conscientização da necessidade de pararmos de fumar.
       A Neida sentiu um pouco mais de dificuldade em largar o vício. Embora o nosso trato era não acendermos mais nenhum cigarro, ela teve umas pequenas recaídas, sendo denunciada pela Sílvia, que ia logo dizendo, à minha chegada do trabalho: - "Pai, hoje a mãe fumou. Ela tinha (por exemplo) dois cigarros guardados na gaveta e eu vi ela fumando escondida". A guriazinha não perdoava. Dedurava a mãe sem nenhuma cerimônia. Mas, é claro, eu tinha que ser condescendente, uma vez que fora eu mesmo que a colocara nesse vício tão perverso. Logo, porém, ela também o venceu e até hoje estamos livres dessa verdadeira praga tão difícil de ser combatida. Graças a Deus, nenhum dos nossos filhos caiu nessa asneira.
       Outro fato marcante nesse ano de 1985, mais precisamente no dia 20 de março, foi o nosso casamento. Agora era a oficialização da nossa união conjugal. Como já havia ultrapassado o tempo estipulado por lei de separação judicial do primeiro consórcio, que era de dez anos, para o requerimento do divórcio, recentemente aprovado pela legislação do nosso País, solicitamos à prima da Neida, Giselda, que era advogada, para que tratasse dos trâmites legais, o que ela fez gratuitamente, resultando favorável e assim nos possibilitando-nos assentar em cartório do nosso casamento civil. O Orlando e a esposa, Leni, foram nossos padrinhos. A Bia, então prestes a completar 13 anos, o André com 11 e a Sílvia com 7, assistiram à cerimônia. Foi muito gratificante. ///
       

Nenhum comentário:

Postar um comentário