A Neida já havia saído da Companhia Monarca e estava trabalhando no escritório compartilhado pelo sr. Carlos (corretor de seguros) e o Dr. Ary (advogado).
Muito preocupada com a mãe, ao mesmo tempo que sentia falta do apoio materno na tão delicada situação, que era a sua primeira gravidez, começou a alimentar o desejo de nós irmos de muda para Pelotas. A casa da dona "D" não era grande, mas daria perfeitamente para acomodar-nos e ficaríamos livres do aluguel. Além do mais ela, Neida, poderia cuidar da mãe, que morava sozinha e passava às vezes por momentos de grande tristeza, o que era ruim e perigoso para a sua saúde e integridade emocional.
Certamente, emprego não me faltaria, pois a minha sogra era manicure muito conceituada na cidade. Fazia somente unhas masculinas e tinha clientes empresários e políticos, entre outros, bastante influentes.
O assunto ficou mais ou menos resolvido, dependendo somente do meu pedido de demissão ser aceito. Ao solicitá-lo, surpreendi-me com uma proposta de aumento de salário, autorizada pela matriz. Trocamos ideias a respeito e mantive o pedido, que me rendeu uma nova proposta, agora um tanto mais substancial, chegando à casa dos 50% sobre o que eu percebia mensalmente, havia mais de seis meses sem nenhuma alteração e tendo à vista apenas o próximo aumento pelo dissídio. A oferta era tentadora, mas arranjamos, daqui e dali, boas desculpas para não aceitá-la. Cheguei a fazer uma contra-proposta, honestamente, inviável, só para meu desencargo de consciência. A última proposta foi mantida, pois já era boa demais. Sabe quando a gente fecha os olhos e tapa os ouvidos, para não ver nem ouvir mais nada, e diz não a uma grande chance de melhorar financeiramente?
Foi isto o que fiz, pensando unicamente no bem da minha companheira, que vivia um momento tão delicado e tão sofrido.
Enquanto a mudança para Pelotas era feita, eu cumpria o aviso prévio e tomávamos as devidas providências para nos instalarmos na nova morada.
Por recomendação de um vereador, apresentei-me e fui admitido no então Expresso Fonseca Júnior, atual Embaixador. Fui colocado no Departamento Pessoal (Recursos Humanos), como auxiliar, ganhando pouco acima de um salário mínimo vigente, o que representava uma terça parte do que estaria ganhando na Monarca, se houvesse aceitado a última proposta.
Não tardou para que as coisas começassem a acontecer de modo diferente do que pensáramos. O relacionamento entre mãe e filha não ia lá muito bem. Minha sogra continuava inconformada com a situação da filha, que não era casada legalmente, o que lhe era motivo de incômodo e vergonha, perante a sociedade pelotense, configurada na sua clientela e amizades pessoais, ambas bastante seletas.
Foi neste clima que a nossa Bia (Beatriz Helena) nasceu, na maternidade do Hospital Beneficência Portuguesa, aos 28 dias do mês de abril de 1973.
Foram transcorridos cinco meses de intranquilidade, insatisfação e arrependimento, até a tomada de uma nova decisão: a de tentarmos uma volta para Porto Alegre. ///
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