Iniciávamos naquele final de agosto um namoro que duraria praticamente um ano, pois decidimos que iríamos morar juntos a partir do dia 02 de setembro de 1972. Abrimos uma caderneta de poupança em conjunto para nela depositarmos nossas economias com vistas às compras de móveis e utensílios, pois pretendíamos alugar um apartamento pequeno, de começo, como realmente o fizemos.
Enquanto fazíamos nossos planos, traçando nossas primeiras metas para a união definitiva, enfrentávamos já alguns problemas de ordem familiar, que se interporiam como barreiras a serem transpostas com coragem e decisão, principalmente pela Neida, que era a parte mais frágil e, não obstante, a mais exigida.
Ela se mudara para Porto Alegre, vinda de Pelotas, havia pouco mais de um ano, residindo com a mãe, manicure, sra. "D", e o primo e quase irmão, "A". Eles se criaram juntos e tinham mesmo uma amizade de irmãos. Estavam morando em um apartamento térreo do prédio de nº 104 da rua Alberto Torres, no bairro Cidade Baixa, próximo ao centro da Capital.
A mãe, que já me conhecia como colega de sua filha, casado, não aprovou o nosso relacionamento (namoro). O primo, ao me ver, um dia, no apartamento, já como namorado da quase irmã, discutiu acaloradamente, mostrando-se totalmente contrário à nossa situação. Ela o enfrentou e acabaram rompendo a amizade e o companheirismo que nutriam mutuamente desde crianças. Vale dizer aqui que a aversão de "A" pela Neida permanece até aos dias de hoje, por incrível que pareça. Como se diz: "a barra pesou" e ele passou a ignorá-la, mal suportando a minha presença.
"A" era filho da tia "G", anterior ao casamento dela com o sr. "M", com quem já tinha mais três filhos: "L", "I" e "M-Jr".
Com eles fiz boa amizade. Levei a Neida para conhecer os meus familiares, pai, mãe e irmãos, e todos lhe deram as boas vindas. Levei-a também até a Vó Cota e ouvimos do guia comunicante, na presença de minha mãezinha: "-Humm! Estes dois, agora que se reencontraram, não se largam mais".
O tempo foi passando, fomos preparando o nosso enxoval, nada de luxo, alugamos o apartamento na avenida Ipiranga, nº 1300, entre a rua Gen. Lima e Silva e a av. Azenha.
No primeiro sábado de setembro, dia dois, nos encontramos e fomos até a casa dos meus pais, onde eu ainda morava até aquele dia, na rua Barão do Amazonas; e lá foi realizada, na presença dos meus familiares, uma singela cerimônia, em que a Vó Cota nos deu, em nome dos Guias Espirituais que a acompanhavam, a bênção da união sagrada, pois nos comprometíamos a cuidar um do outro pelos anos afora, completando no próximo mês, agora, 41 anos de muita dedicação, carinho, cuidados, tropeços, lutas e muito, muito amor.
Naquele dia, ao despedir-se da mãe e entregar-lhe as chaves do seu apartamento, esta lhe disse apenas, em tom grave: "- Tu é quem escolheste assim. Não precisas mais me procurar".
Foi muito dolorido, para a minha amada, que realizava um sonho seu a um preço tão alto imposto pela pessoa por quem ela tinha o maior apreço, e que lhe devia o maior apoio e consideração, já que não lhe havia dado um pai e nunca fora cobrada por isto.
Em vista disso, o nosso "enfim sós" não foi dos mais alegres, embora nos sentíssemos felizes por estarmos finalmente juntos.
A primeira gravidez já se fazia sentir pelos seus reflexos físicos, embora não transparecesse ainda, a não ser pelos vômitos frequentes.
Logo, porém, as coisas iriam tomar um novo rumo, pois a sra. "D" decidira retornar para Pelotas, onde tinha um imóvel de sua propriedade, que deixara alugado, havendo já solicitado ao inquilino a sua desocupação, no que fora atendida prontamente.
Imaginem só a situação da filha única, "casada" sem o aval da mãe e agora grávida, enfrentando mais esse revés, conhecendo a mãe que tinha, frequentemente depressiva, embora ainda não se usasse este termo.
Na próxima publicação, vocês saberão o que aconteceu conosco em seguida, por conta disto. ///
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