Durante o período em que trabalhei na Granero, algumas coisas bem interessantes aconteceram, que marcaram nossa passagem por São Paulo. Houve um tempo, mais ou menos longo, em que eu entrava às 7:30 horas da manhã e saía da empresa mais de 10 horas da noite. O horário de almoço era restrito a uma hora apenas, que mal dava para chegar em casa, sentar-me à mesa por uns 20 minutinhos e retornar ao trabalho. À noite, quando chegava cansado do dia estafante, encontrava a Bia, com a idade entre 6 e 7 anos, e o André, entre 4 e 5, num regime natural de revesamento, como se tivessem combinado que cada um deles ficaria de plantão, dia sim e dia não, esperando o pai chegar para vê-lo. A Sílvia ainda era bebê, por isso não participava do esquema.
Tínhamos uma vizinha, dona Ida, que sofria de alcoolismo. Ela tinha 3 filhos, uma mocinha com necessidades especiais, um rapaz, adolescente, e uma menininha da idade do André. Certa feita ela desapareceu de casa, causando grande preocupação e certo alvoroço. Era o marido e toda a vizinhança se mobilizando de um jeito ou de outro na tentativa de achá-la, talvez jogada em alguma sarjeta do bairro. Mas só depois de alguns dias o esposo soube que ela estava na casa de uma irmã, no distante bairro de Vila Ema, na zona sul da capital paulista. Mais alguns dias depois, ela retornou ao lar, bastante mudada e muito feliz, dizendo-se liberta do vício que a infelicitava. Essa irmã a havia levado a uma Igreja, onde ela fora curada do alcoolismo, "libertada do demônio pela unção divina", segundo suas próprias palavras. Toda entusiasmada, convidou-nos para irmos com ela conhecer essa Igreja. Bem, até então, nós, que éramos espíritas, não frequentávamos nenhum Centro, até porque no bairro onde morávamos, Vila Maria, não havia um sequer. Perguntamos-lhe qual era o nome dessa Igreja e ela disse que só sabia que estava escrito numa placa, na fachada da mesma, "CRUZADA NACIONAL DE EVANGELIZAÇÃO".
Naturalmente, por querermos dar-lhe o nosso apoio moral, incentivá-la a permanecer naquele caminho que lhe havia feito tanto bem, aceitamos o convite e a acompanhamos ao culto de domingo à noite.
Ao chegarmos pela primeira vez ao local, fomos muito bem recepcionados pelos agentes cooperadores que se postavam à entrada e em pontos estratégicos no interior do estabelecimento religioso, dando-nos as boas vindas e indicando-nos os assentos vagos, inclusive mostrando-se solícitos para um atendimento especial em relação às crianças.
Logo ficamos sabendo tratar-se, em realidade, da Igreja do Evangelho Quadrangular do Brasil (IEQB). Por coincidência, o meu irmão Pedro era pastor dessa mesma denominação em Viamão/Porto Alegre. Havia um coral e um grupo de jovens, postados um de cada lado do palco onde havia um púlpito para as pregações. Um e outro entoavam belos hinos de louvor, antes do início do culto propriamente dito. Depois, um pastor auxiliar ou obreiro puxava um repertório de "corinhos", dos quais todo o público participava; alguns alegres, com bate-palmas; outros mais calmos, espirituais, que faziam a gente arrepiar-se, emocionar-se, todos muito lindos.
Voltamos com a D. Ida mais uma vez; depois ela tornou a ir para a casa da irmã, passando a frequentar a Escola Dominical, que se realizava à tarde. Mas já que estávamos gostando e éramos sempre bem recebidos, continuamos. Logo mais soubemos que a nossa vizinha havia deixado de frequentar, mas ainda assim nós permanecemos.
Em fins de 1979, tirei a carteira de habilitação. Já em meado de 1980 com as moedas dos geladinhos tínhamos conseguido juntar uma boa quantia na caderneta de poupança. Com esse dinheiro, mais uma ajuda extra da minha sogra, compramos o nosso primeiro carro, um fusquinha 1300 ano 1967. Aí já podíamos ir aos cultos dos sábados à noite, também. Dei até um testemunho de bênção a esse respeito.
Em agosto desse mesmo ano, recebi a notícia do falecimento de minha mãe. O joão ligou para a Empresa avisando-me, sendo que o sepultamento seria realizado às 17 horas daquele mesmo dia. Com o auxílio do gerente, efetuei a compra da passagem e embarquei num voo das 15 horas, chegando em Porto Alegre pouco depois das 16. Tomei um táxi e fui direto para o Cemitério São Miguel e Almas, onde estava sendo feito o velório. Cheguei em cima da hora para acompanhar as últimas homenagens proferidas por um padre, depois pelo meu irmão pastor e, por anuência de todos, também eu proferi um pequeno discurso. Na Igreja eu já havia participado de algumas reuniões do Grupo Missionário de Homens, que franqueavam a palavra para treinarmos fazer pregações, com vistas a futuramente nos tornarmos obreiros da palavra.
Fiquei mais dois dias em Porto Alegre, junto de minhas irmãs Iná e Eloá, que ficaram bastante abaladas com o passamento de nossa mãezinha. Ao retornar para São Paulo, consegui uma carona em um caminhão da própria Empresa. O motorista chamava-se Salatiel e era um grande camarada. Deu-me a direção do veículo em um trecho plano da rodovia. Pude tirar uma casquinha, embora não tivesse prática nenhuma com veículo grande. Até então havia dirigido somente fusca e kombi. Foi uma experiência bastante arriscada.
Voltando a fita, quando fomos para a Igreja, tanto eu quanto a Neida fumávamos. Assim que firmamos o compromisso de frequentá-la assiduamente, chegamos à conclusão que deveríamos nos libertar daquele vício à toa e tão pernicioso. Devo dizer que as crianças adoraram a nossa iniciativa. E já participávamos de outros encontros, já que com o carro a nossa locomoção se tornara bem mais fácil.
Em agosto desse mesmo ano, recebi a notícia do falecimento de minha mãe. O joão ligou para a Empresa avisando-me, sendo que o sepultamento seria realizado às 17 horas daquele mesmo dia. Com o auxílio do gerente, efetuei a compra da passagem e embarquei num voo das 15 horas, chegando em Porto Alegre pouco depois das 16. Tomei um táxi e fui direto para o Cemitério São Miguel e Almas, onde estava sendo feito o velório. Cheguei em cima da hora para acompanhar as últimas homenagens proferidas por um padre, depois pelo meu irmão pastor e, por anuência de todos, também eu proferi um pequeno discurso. Na Igreja eu já havia participado de algumas reuniões do Grupo Missionário de Homens, que franqueavam a palavra para treinarmos fazer pregações, com vistas a futuramente nos tornarmos obreiros da palavra.
Fiquei mais dois dias em Porto Alegre, junto de minhas irmãs Iná e Eloá, que ficaram bastante abaladas com o passamento de nossa mãezinha. Ao retornar para São Paulo, consegui uma carona em um caminhão da própria Empresa. O motorista chamava-se Salatiel e era um grande camarada. Deu-me a direção do veículo em um trecho plano da rodovia. Pude tirar uma casquinha, embora não tivesse prática nenhuma com veículo grande. Até então havia dirigido somente fusca e kombi. Foi uma experiência bastante arriscada.
Voltando a fita, quando fomos para a Igreja, tanto eu quanto a Neida fumávamos. Assim que firmamos o compromisso de frequentá-la assiduamente, chegamos à conclusão que deveríamos nos libertar daquele vício à toa e tão pernicioso. Devo dizer que as crianças adoraram a nossa iniciativa. E já participávamos de outros encontros, já que com o carro a nossa locomoção se tornara bem mais fácil.
Devo dizer que a minha sogra não gostava nada disto, pois achava que havíamos ficado muito fanáticos e que aquela igreja explorava a fé das pessoas, pois cobrava dízimos e pedia ofertas em todos os cultos. Nós nos adaptamos muito bem à comunidade, fazendo muitas amizades. Só não concordávamos quando o pastor ou algum obreiro falava mal do Espiritismo, que bem conhecíamos, tachando-o de obra dos demônios, religião do Diabo e coisas semelhantes e sempre negativas. Mas nós nos calávamos, respeitando a crença alheia e as opiniões de quem não conhecia o verdadeiro caráter da Doutrina Espírita. Às vezes eu dizia para algum irmão mais chegado que não era bem assim, que era muito diferente do que eles imaginavam; mas não passava disso, para não criar polêmica.
E, assim, o tempo foi passando, sem mais acontecimentos dignos de nota, até quase o final do ano de 1980. ///
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