quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

20. NA EMPRESA DE MUDANÇAS

     Depois de rapidíssimas passagens por duas outras transportadoras, Creciumense e Aurora, , fui buscar uma colocação na Empresa "Mudanças Granero", por indicação de uma cliente da Neida, mãe dos dois jovens diretores da mesma. O escritório da garagem, onde eu iria trabalhar, ficava a cerca de um quilômetro da casa onde morávamos, no Alto da Vila Maria.
      Numa época em que ainda não havia computadores de uso abrangente como os que hoje fazem parte do dia-a-dia de todas as empresas e pessoas, o gerente, sr. Élio, pediu-me para organizar um livro de controle, com a finalidade de identificar mais facilmente os destinos de alguns caminhões e/ou motoristas em viagem; ou para definir outros aspectos, como datas de coleta e entrega, e com quem estariam determinadas mudanças, em trânsito por todo o país, uma vez que a Empresa paulista atendia a todas as praças de norte a sul, muitas vezes utilizando-se de carretas que podiam levar até cinco mudanças em regime de aproveitamento, conforme as suas metragens cúbicas.
     Inicialmente, ele mesmo criou uma planilha com 6 ou 7 itens a serem registrados nesse livro de controle. À medida, porém, que as buscas por informações me eram solicitadas, fui aprimorando o sistema, por minha conta, criando símbolos e traçando novas colunas, a fim de registrar todos os dados possíveis, envolvendo cada serviço, cada veículo e cada condutor, desde o início até a entrega da carga e chegada de retorno do caminhão ao pátio. Desse modo, podia responder a qualquer questionamento que me fosse feito.
     Exemplos:
     1) Com quem está a mudança de tal cliente?
     2) Que data saiu essa mudança, em que caminhão, ou com que motorista?
     3) Qual o motorista que viajou com o caminhão de placa tal?
     4) Tal motorista viajou com qual caminhão e para onde?
     5) Que dia saiu e/ou chegou tal mudança, tal motorista, ou tal caminhão; quais os seus destinos, etc.?
     6) Quem fez a apanha ou entrega de tal mudança?
      Acontecia, muitas vezes, de um determinado motorista, que estava escalado para uma viagem, adoecer, estando já carregado o seu caminhão, tendo que outro motorista ser convocado para assumir o seu lugar; uma vez restabelecida a saúde e retornando ao trabalho, aquele motorista pegava o caminhão do colega que o substituíra na viagem e ficava fazendo os serviços locais que competia àquela viatura. Nesses casos, a pergunta poderia ser: Quem viajou com o caminhão do Fulano? Ou: O Fulano está trabalhando com qual caminhão (ou: de quem)?
      E, assim, não havia nada que me fosse perguntado que eu não pudesse responder em questão de um ou dois minutos apenas, tempo necessário para a consulta às minhas anotações.
    Além disso, fazia parte das minhas tarefas receber no balcão os cheques e dinheiro referentes ao pagamento das mudanças, trazidos pelos motoristas. Vale lembrar que na época não havia cartões de crédito. O dinheiro ia direto para o caixa do escritório local, enquanto os cheques tinham de ser relacionados e enviados o mais breve possível para o escritório central (matriz). Também era eu quem despachava os motoristas e ajudantes, fornecendo-lhes vales-refeição ou adiantamento de diárias de viagem. Acertava também as diárias dos chapas (ajudantes ou motoristas proprietários de veículos que terceirizavam seus serviços para a Empresa, sem vínculo empregatício).
     O meu relacionamento com todos esses funcionários, assim como com os colegas do escritório e o gerente da garagem, inclusive com os da portaria, do almoxarifado e da oficina de consertos, instalados no mesmo local, era o melhor possível. 
       Ingressei na Granero em 15 de janeiro de 1979 e saí em 11 de dezembro de 1980.
      Enquanto isso... ///
     

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